Saiba como a série "13 Reasons Why" pode ajudar você a desenvolver empatia

Saiba como a série "13 Reasons Why" pode ajudar você a desenvolver empatia

É difícil prever se um seriado vai fazer sucesso, especialmente quando é produzido para um serviço de streaming. Porém, quando estreou em 2017, “13 Reasons Why” se converteu em pouco tempo em um fenômeno capaz de promover milhares de citações nas redes sociais, levantar discussões calorosas sobre os personagens e envolver pais, educadores e profissionais da área de saúde para debater o tema central do enredo: o suicídio e a necessidade de se desenvolver empatia como instrumento de prevenção.

O motivo disso é que a série da Netflix, que é uma adaptação do livro de nome homônimo, nos apresenta a vida de Hannah Baker (Katherine Langford), uma jovem que tira a própria vida após uma sequência de acontecimentos problemáticos.

Contudo, antes de se suicidar, ela deixa uma caixa com fitas para que os responsáveis pela morte dela, direta ou indiretamente, saibam pelo que ela passou e o quanto sofreu por conta das ações de cada um. A partir desse ponto, somos levados a diversos flashbacks que mostram como a omissão e a falta de empatia dos familiares, dos amigos, dos professores e demais pessoas envolvidas com ela foram cruciais para o trágico fim da garota.

E, justamente para mostrar a importância de se desenvolver essa capacidade e como a série pode ajudar nessa missão é que separamos algumas das situações em que o assunto é abordado de forma crucial para o desenvolvimento do enredo. Acompanhe!

A evolução da depressão de Hannah Baker

Para começar, não há como deixar de falar sobre o estado de saúde mental da protagonista, que não é mencionado em apenas um momento, mas sim durante todo o decorrer da série.

A razão disso é que, à medida que surgem os conflitos com os colegas, as desilusões amorosas e a estigmatização/ridicularização sexual (ou slut-shaming – sem tradução para o português, a expressão é utilizada para se referir a um movimento no qual a mulher é humilhada e diminuída devido à sua vida sexual), ela começa a demonstrar diversos sinais de que tem depressão — uma doença que afeta, só no Brasil, cerca de 11,5 milhões de pessoas segundo relatório da OMS. Entre os principais indícios, estão:

  • mudanças de humor e temperamento;
  • episódios frequentes de choro compulsivo;
  • isolamento social;
  • dificuldade em manter o ritmo da rotina de estudos;
  • desinteresse pelas coisas das quais gostava;
  • irritabilidade;
  • apatia;
  • falta de apetite;
  • tristeza constante.

Todavia, tanto Clay Jensen (Dylan Minnette), o amigo mais íntimo, quanto a família dela são incapazes de identificar o estado emocional no qual ela se encontra. No caso dos pais de Hannah é ainda pior, pois eles estão tão preocupados em não perder o negócio que têm, que acabam deixando de lado a relação com a filha e focando exclusivamente no trabalho.

Dessa forma, exemplificam para nós, telespectadores, como a falta de diálogo dentro do ambiente familiar e do interesse nas pequenas atividades do dia a dia do outro geram distanciamento e provocam a falta de compreensão, de tolerância e de acolhimento.

Todos eles, vale ressaltar, são aspectos capazes de agravar (e muito) o psicológico de uma pessoa que já esteja enfrentando um transtorno mental e não conta com apoio algum — o que pode, em casos mais graves, levar o indivíduo ao suicídio, como aconteceu no seriado.

Os episódios de bullying dentro do colégio

Apesar de a série ser focada na história de Hannah Baker, ela não é a única que sofre com bullying dentro da escola. Tyler Down (Devin Druid) é outro exemplo disso. Por ter um perfil mais introspectivo, fugir ao padrão físico da maioria dos rapazes e se interessar por fotografia em vez de esportes, ele é constantemente rechaçado por outros jovens.

Em algumas cenas, ele chega a ser atacado verbal e fisicamente. Contudo, nenhum aluno, nem mesmo os professores e os responsáveis pela direção da instituição, fazem algo para impedir ou, pelo menos, evitar as agressões.

A realidade é que existe uma cultura perpetuada dentro do colégio de “nada vejo, nada digo, nada escuto”. Com isso, o lugar vira um ambiente hostil e ninguém se solidariza, se preocupa ou pensa em se colocar no lugar dele e compreender como tudo aquilo afeta a autoestima e a autonomia de Tyler.

As imposições do pai de Alex Standall

Além de Hannah, Alex Standall (Miles Heizer) também enfrenta uma relação conturbada com a família na série. Isso acontece porque o seu pai impõe constantemente vários comportamentos que considera serem, de fato, “masculinos”. Essa pressão tem origem na criação mais conservadora dele, o que o leva a insistir em moldar a personalidade do filho e até ditar com quem ele pode ou não se relacionar.

Com a postura intransigente do genitor e a escassez de diálogo, carinho e estima dentro de casa, cada vez mais Alex passa a desenvolver distúrbios de personalidade ligados à autoaceitação e à imagem que precisa criar para corresponder às cobranças do pai.

Como resultado, começa a também demonstrar sintomas de depressão (embora em menor escala que a protagonista) e, do papel de vítima, passa a agir como um agressor promovendo o slut-shaming do qual Hannah e Jéssica (Alisha Boe), a namorada, são vítimas.

O luto dos Baker pela morte da única filha

Outra situação em que é evidente a falta de empatia, de amparo, de compreensão e, inclusive, de respeito é quando Olivia e Andy Baker (Kate Walsh e Brian d’Arcy James) ainda estão em choque com o recente suicídio da filha.

Nesse momento, em vez de ter o apoio da escola para descobrir as possíveis causas que a levaram a tomar essa medida drástica, acabam sendo deixados ainda mais às escuras, visto que a direção da instituição quer se isentar de qualquer culpa.

Para piorar, os outros pais e demais pessoas da comunidade — visto que é uma cidade pequena — passam a evitá-los e excluí-los do convívio social por preferirem ignorar o que aconteceu e, assim, não ter que lidar com as consequências dessa morte e como ela pode refletir nos próprios filhos. Ou seja, preferem, como diz o ditado, “tampar o sol com a peneira”.

Todo esse descaso mostra a fragilidade das relações dos Baker com quem consideravam amigos, bons vizinhos e colegas, expõe a falta que faz o apoio de terceiros durante o luto e mostra como a perda de uma pessoa querida se torna muito mais severa e dolorosa quando é simplesmente desprezada por todos.

A visita de Hannah à sala do Mr. Porter

Para finalizar, a última ocasião em que a série retrata a importância da empatia e, acima de tudo, da disposição em querer ouvir o que o próximo tem a dizer é quando Hannah vai à sala de Mr. Porter (Derek Luke), o conselheiro educacional da escola.

Isso porque, ao decidir procurá-lo, ela repensa a ideia de cometer suicídio e resolve desabafar sobre todos os problemas pelos quais tem passado na escola, além, é claro, de pedir ajuda para denunciar o estupro que sofreu.

Contudo, o que ela encontra não é conforto nem auxílio, mas sim alguém alheio à realidade do colégio — mesmo sendo o profissional responsável por resolver conflitos estudantis e promover o bem-estar dos alunos —, que está ocupado demais com uma série de telefonemas e, para completar, ainda culpabiliza a vítima pela violência que sofreu.

Ou seja, se ele tivesse cumprido com a função que, em tese, deveria desempenhar dentro da instituição e, principalmente, sido capaz de parar e ouvir o que a moça tinha a compartilhar, levando em conta o comportamento e o estado emocional dela — que já estava claramente abalada — ele poderia, sim, ter ajudado-a.

Afinal, ele teria compreendido o sofrimento dela, prestado consolo e mostrado que, por mais difícil que fosse a situação em que ela se encontrava, ela tinha com quem contar e onde buscar apoio. Infelizmente, não é isso o que ocorre.

Como você leu, desenvolver empatia é uma necessidade real tanto na vida pessoal quanto na profissional e pode ser justamente o ponto de virada para a construção de relações mais sadias, respeitosas e menos omissas com familiares, amigos e colegas de trabalho. Portanto, não deixe de acompanhar a série e praticar um olhar mais sensível com a dor do próximo!

E se você gostou deste post e quer conferir outras dicas de séries e produções cinematográficas que trazem ensinamentos fundamentais para o nosso amadurecimento e crescimento, não deixe de nos seguir no Facebook, InstagramTwitter e LinkedIn!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *