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Geração Z impõe desafios no ensino a distância

O ensino a distância no Brasil já ganhou grandes avanços desde que foi autorizado pelo Ministério da Educação em 2005. A tecnologia, que avançou rapidamente nesses 11 anos, trouxe incrementos às salas de aula virtuais e mais profissionalização dos tutores. A grande virada do setor, no entanto, já vem começando a acontecer com a chegada

O ensino a distância no Brasil já ganhou grandes avanços desde que foi autorizado pelo Ministério da Educação em 2005. A tecnologia, que avançou rapidamente nesses 11 anos, trouxe incrementos às salas de aula virtuais e mais profissionalização dos tutores. A grande virada do setor, no entanto, já vem começando a acontecer com a chegada da geração Z às universidades e do maior acesso ao mobile por parte desses jovens.
Além de pedir um conteúdo responsivo, o material oferecido precisa estar alinhado com a vivência off-line do aluno e integrado às plataformas já utilizadas por eles. Hoje, quase 70 milhões usuários utilizam a internet via smartphone, sendo 37% desse volume utilizado pelo público de 10 a 24 anos, segundo a pesquisa Mobile Report, da Nielsen Ibope. O uso do mobile por eles obteve um aumento de 9% relacionado ao último ano.
Para conseguir a atenção desse aluno diante de tantos aplicativos as instituições de ensino já vêm se preparando para se tornar mais atrativa e fazer das salas de aula um local menos entediante. “Observamos que essa geração busca algo a mais do que o professor falando e exibindo conteúdo. Enxergamos aí a oportunidade do EAD, por ter a facilidade de acesso e conteúdo interativo. Se não trabalharmos pensando nesses jovens perderemos eles para quem possa oferecer o que ele quer”, afirma Roberto Valério, Vice-Presidente EAD e Polos da Kroton, em entrevista ao Mundo do Marketing.
Canal interativo
Detentora de instituições que trabalham o ensino a distância como a Anhanguera e Unopar, a Kroton também atua com escolas de ensino básico (nível fundamental e médio), o que dá à ela um conhecimento de como e o que os adolescentes querem ao chegar às universidades – área de ensino que concentra a maior parte das empresas de EAD. Dentre as análises observadas está transformar o ambiente virtual o mais próximo do que é o presencial, sem perder as características que o tornam interessantes aos jovens.
Uma dessas estratégias é criar um canal de comunicação direto, que esteja alinhado ao que o aluno vivencia. “Desenvolvemos por aqui uma ferramenta semelhante ao Whatsapp e Facebook que permitirá o envio de informativos aos alunos sobre dias de prova, comunicados e outras funções que tornem o ensino à distância mais atraente. Além disso o conteúdo em aula tem ligações com filmes, séries e outras mídias que possam estar em pauta”, conta Valério.
Nascidos a partir de 1995, a geração Z está entrando nas universidades e no mercado de trabalho com energia, velocidade e características diferentes das quais as tradicionais instituições estão acostumadas. “Essa turma não quer mais saber de ficar sentada assistindo ao professor falar, ela também quer participar. Tivemos que enxergar isso anos atrás para que hoje pudéssemos aplicar nossa metodologia que integra on e off-line. O presencial não será mais apenas presencial, assim como o EAD pedirá características da outra modalidade. O ensino torna-se híbrido”, pontua o executivo da Kroton.
Ensino híbrido
O hibridismo no ensino à distância é algo que já vem ocorrendo, mas não por influência de público e sim por causa do amadorismo que algumas instituições construíram o seu EaD. O conhecimento na didática tradicional foi moldando o que era oferecido aos alunos nos primeiros anos após a liberação pelo MEC, mas nos últimos dois anos esse comportamento vem mudando. O causador dessa transformação desse mercado são os próprios alunos que não viam vantagem nessa modalidade.
Com a evasão, o setor se readaptou e vem utilizando as ferramentas tecnológicas de maneira mais assertiva. “A geração Z nasceu com o controle remoto e o celular na mão, enquanto a Y, que é quem leciona, viu isso surgir. Temos um perfil híbrido, um número grande de profissionais bons, mas com pouca vivencia digital. São analógicos e por isso precisamos capacitá-los para receber essa nova massa de alunos que está chegando e pede conteúdo 100% digital”, conta Maria Alice Passos Mendes, Coordenadora de Produto Varejo On-Line do FGV/IDE, em entrevista ao Mundo do Marketing.
O EaD tende a ganhar mais adeptos conforme os professores e gestores comecem disseminar como está hoje esse tipo de sala de aula. “Essa é a geração que mais vai se identificar com essa modalidade. Percebemos que a cada ano o interesse deles nesse novo perfil de educação vem se dando maciçamente. É possível fazer network onde ele estiver, ter interatividade e diversão na palma da mão. Nosso público migrará para o digital certamente e teremos uma mudança na porcentagem de alunos inscritos, que hoje é muito maior no presencial”, conta Maria Alice.
Aluno 2.0
Essa virada já vem acontecendo e pede um maior investimento em mobile. Isso porque o smartphone se tornou o aparelho mais utilizado para acessar a rede, desbancando computadores de mesa e notebooks, de acordo com o estudo de hábitos e comportamentos dos usuários de redes sociais feito pela E.life. Esse canal, no entanto, pede atenção de quem executá-lo, já que não basta transformar uma página em responsiva, já que qualquer elemento gráfico a mais pode distrair o aluno.
O Mobile Learning é uma das promessas a curto prazo para as instituições de ensino à distância. “Os jovens não sabem o que é o mundo sem tecnologia e tem um senso de urgência muito grande. Sabemos que integrar as plataformas é a saída e começamos a aprofundar as opções dadas a eles. O acesso ao conteúdo não pode ser limitado, o aprendizado tem que vir de multicanais. Estamos antenados com essa tendência e prontos para receber essa turma”, conta Josiane Tonelotto, reitora do EAD Laureate International Universities, em entrevista ao Mundo do Marketing.
Apesar das grandes empresas já entenderem o novo consumidor e o que ele quer, ainda existem escolas que podam o uso de aparelhos em salas de aula e ocupam o tempo de lazer do aluno com tarefas extras em apostilas, por exemplo. Dessa forma, o tempo gasto online passa a ser escasso e cria um ensino entediante a esse público que tem sede de estar conectado.
Esse comportamento no presencial tende a empurrar esses jovens para cursos e faculdades à distância. “Temos porte para figurar entre as grandes potências globais de EaD, uma vez que temos profissionais que sabem aliar bem a inovação com a prática educacional. Isso pode nos colocar como exemplo para outros países. O ensino profissionalizante está crescendo bastante no ensino à distância, mas conforme as gerações mais novas forem crescendo eles vão pedir das escolas essa mudança. O poder vem das mãos deles e eles ditarão onde e como querem estudar”, finaliza Josiane.

 

Fonte: www.mundodomarketing.com.br/reportagens/mercado/36632/nativos-digitais-pedem-mais-dinamica-nas-aulas.html

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